Apenas minhas letras insanas...

domingo, 4 de março de 2012

O Mar




Como lhe encantava sentir sob os pés, a areia molhada
E se divertia com as ondas que desmanchavam suas pegadas
A mãe ensinava a fazer castelos
E saía correndo a catar conchinhas
De todas as cores,
Branquinhas.
Desconhecia o medo,
Nunca se cansava.
Que saudade brutal sentiria!
Deixava, sempre, um pedacinho de si
E chorava o choro dos puros
Quando partia.
Mesmo sem saber, sabia
Que aquela inocência, um dia
O mar, para si, levaria.
O mar.









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Imagem: "Itanhaém" .
Música: " O Mar". Madredeus.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Haikai (inverno)



Ventos invernais
Carregam as nuvens
Céu limpo de novo






Imagem: Site Brasil Escola.




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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Viagem Bucólica







E então jogou-se à beira do rio, nu e extasiado.
E as águas frescas banharam-lhe as pernas
E as dores do corpo e da alma diluíram-se ali.
E sentiu a pele arder suavemente sob os raios de sol
Que teimavam docemente pelas frestas das copas frondosas.
E brisas com cheiro de verde refrescaram-lhe o espírito
E gozou de um sono profundo com um sorriso nos lábios.





Música: Solo de violino do animê "Ef - A Tale of Melodies".



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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Apesar de tudo






Há em algum sítio obscuro da minha mente, uma seara colorida onde mora um sentimento de esperança. Bravo e persistente. Só assim se justifica esta minha insistência em acreditar.





Imagem : "Jardineira".
Música : "Trilhares" - Palavra Cantada.


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domingo, 6 de novembro de 2011

Labirintos Oníricos


Anotações de cabeceira
Tenho este sonho recorrente em que me perco por ruas conhecidas. Ruas que habitam minha memória, em que brinquei, corri, vivi. E me pergunto e não entendo porque não me encontro em caminhos que me são tão íntimos
As ruas parecem não ter fim. Noutras vezes traçam angustiantes labirintos ou, simplesmente, encerram-se em si mesmas e fico eu a caminhar em círculos, arrastando as pernas que me pesam assustadoramente.
Nunca chego, nunca. E as pessoas são desconhecidas e hostis. Ou, então, as ruas são desertas. Às vezes embarco num ônibus que parte em direção contrária àquela que pressinto ser a correta. Tento saltar, mas o ônibus não pára, fico presa dentro dele. Presa.
E é sempre noite, é sempre frio.
Mas o diabo que não consigo entender é que conheço as malditas ruas. Eu deveria saber o caminho.
Mas não sei.




Imagem: "Caminhos Tortuosos" - Kássia Reis.



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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Cabeça Flutuante de Mercedes








A cabeça flutuante de Mercedes
Pairava sobre as praças
Girava, desvairada
As nuvens, bulinava!
A cabeça flutuante de Mercedes
Bailava, assim, descabelada
E os olhos flamejantes
Fulminavam quem passava.
A cabeça flutuante de Mercedes
Quicava feito bola
E gargalhava
A boca escancarada!
A cabeça flutuante de Mercedes
Belicosa, esfomeada
Devorava quem passava.
A cabeça flutuante de Mercedes
Vomitava cânticos
Regurgitava cândidos
E tripudiava!
A cabeça flutuante de Mercedes
Sugava os ébrios e os incautos
E se deleitava!
A cabeça flutuante de Mercedes
O dia, incendiava
A noite, iluminava
Abóbora gigante decapitada.
A cabeça flutuante de Mercedes
Pairava sobre as praças
E ria-se das pragas
A boca escancarada!










Música: "Entre dos Aguas" - Paco De Lucia.
Imagem: "La Cabeza Flotante de Mercedes" - Photo Amadora.




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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Brilho Efêmero


  Silêncio. Concentração. Ela fecha os olhos, respira fundo e, então, abre seu melhor e mais belo sorriso. A música começa e o lilás salpicado de pequenos brilhos desliza e funde-se à brancura leitosa do gelo.
  Leveza e graça em movimentos que beiram o sublime.
  Corpo e música em perfeita harmonia, como se de dentro de sua alma saíssem as notas melodiosas.
  Desliza, irretocável. Abre os braços em frágil equilíbrio, veloz, parece voar. Dá o primeiro salto duplo, perfeito. Parece tão fácil!
  O público, hipnotizado, demora alguns segundos a reagir com merecidos aplausos. Em completo êxtase ela continua sua rotina de encantamento e, impondo mais velocidade, executa dois saltos triplos aterrissando em perfeito equilíbrio. A audiência delira, emocionada.
  Ela baila, então. Menina-mulher. Inocência e sedução.
  Percorre todo o ranking num footwork gracioso, desenhando suas figuras em "S".   A música torna-se ainda mais intensa e surgem as fantásticas piruetas, o lilás rodopia, rodopia....
  Nos últimos acordes, o último salto, o mais audaz.
  A queda.
  Um "Oh" em uníssono a ensurdece. Por alguns segundos não ouve nada, não vê nada. Nada sente.
  Mas a anestesia pouco dura. Ergue-se. Supera a dor. Retoma a rotina. Desliza e improvisa pois a música está acabando.
  Executa a última pirueta, feito um tornado. E estanca exatamente no último acorde. Perfeito.
  O público a aplaude de pé.
  Ofegante, ela sorri. Mas dos olhos, que nada escondem, rolam as lágrimas.



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