Apenas minhas letras insanas...
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quarta-feira, 17 de abril de 2013
Viagem Insólita
Sim...
Bastava o teu peito para me acolher
Nada mais.
Quem sabe, assim, essa vida ganhava alguma cor
E este tédio se diluía em teus olhos.
E, então, todos esses sorrisos estúpidos e congelados que me rodeiam, pipocariam por aí e fariam, finalmente, algum sentido.
E as imagens captadas pela minha lente nunca mais seriam óbvias!
E uma leveza inenarrável, talvez, se apoderasse
Deste meu corpo obsoleto
E esta matéria chula e primitiva, talvez, conseguisse acompanhar
A minha mente.
E, então, eu surfaria indelével, sobre os raios coloridos que transpassam aquele prisma que renasce a cada acorde da guitarra.
Bastava o teu peito, meu amor.
Sim...
***
segunda-feira, 15 de abril de 2013
E assim é
Olho para a sua juventude.
Posso sentir o seu frescor
Através desta fotografia.
Posso ler nos seus olhos
Esperança, euforia e, até, uma certa prepotência.
Olho para a sua pele lisa,
Para os seus cabelos fartos,
Para o seu sorriso tão despreocupado.
E minhas lágrimas escorrem
Tortuosas pelas minhas rugas.
Olho para o seu corpo tão esguio e forte
E minhas dores, ainda mais imperiosas, latejam sem dó nem
piedade.
Olho para o seu futuro,
Vejo o meu passado.
E quando olho para o espelho
Sei que é você,
Mas não lhe reconheço.
***
terça-feira, 5 de junho de 2012
O menino, de nada sabia

O menino, de nada sabia.
Da carne flácida, do ardor no estômago
Do amargor, travo na língua
Da imagem sem cor, desfocada
Cinza
Da certeza da dor, da memória perdida
Da pútrida inércia, da nauseante apatia
Da melodia mesquinha, da avareza da vida
O menino! O menino, de nada sabia.
Nem da sordidez, nem da vilania
O menino não sabia da grande ironia.
Imagem: "Meninos Brincando" (1955)
Cândido Portinari.
***
domingo, 15 de abril de 2012
Amor Sem Fronteiras
Não há garantias
Nem asas tolhidas
Apenas te olho,daqui
E me apraz ver-te livre
Feliz pelas cercanias
Graças eu dou
Por não me ater a mesquinharias
Pois foi recusando tuas migalhas
Que me fiz grande aos teus olhos
Quanto mais plena a liberdade
Tua e minha
Mais rica,a existência
Mais prazerosa,a convivência
Sólida trajetória!
***
Nem asas tolhidas
Apenas te olho,daqui
E me apraz ver-te livre
Feliz pelas cercanias
Graças eu dou
Por não me ater a mesquinharias
Pois foi recusando tuas migalhas
Que me fiz grande aos teus olhos
Quanto mais plena a liberdade
Tua e minha
Mais rica,a existência
Mais prazerosa,a convivência
Sólida trajetória!
***
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Viagem Bucólica
E então jogou-se à beira do rio, nu e extasiado.
E as águas frescas banharam-lhe as pernas
E as dores do corpo e da alma diluíram-se ali.
E sentiu a pele arder suavemente sob os raios de sol
Que teimavam docemente pelas frestas das copas frondosas.
E brisas com cheiro de verde refrescaram-lhe o espírito
E gozou de um sono profundo com um sorriso nos lábios.
Música: Solo de violino do animê "Ef - A Tale of Melodies".
***
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
A Cabeça Flutuante de Mercedes

A cabeça flutuante de Mercedes
Pairava sobre as praças
Girava, desvairada
As nuvens, bulinava!
A cabeça flutuante de Mercedes
Bailava, assim, descabelada
E os olhos flamejantes
Fulminavam quem passava.
A cabeça flutuante de Mercedes
Quicava feito bola
E gargalhava
A boca escancarada!
A cabeça flutuante de Mercedes
Belicosa, esfomeada
Devorava quem passava.
A cabeça flutuante de Mercedes
Vomitava cânticos
Regurgitava cândidos
E tripudiava!
A cabeça flutuante de Mercedes
Sugava os ébrios e os incautos
E se deleitava!
A cabeça flutuante de Mercedes
O dia, incendiava
A noite, iluminava
Abóbora gigante decapitada.
A cabeça flutuante de Mercedes
Pairava sobre as praças
E ria-se das pragas
A boca escancarada!
Música: "Entre dos Aguas" - Paco De Lucia.
Imagem: "La Cabeza Flotante de Mercedes" - Photo Amadora.
***
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Num piscar de olhos
sábado, 11 de junho de 2011
maria
terça-feira, 7 de junho de 2011
Tão perto, tão longe...(meu doce espectro III)

Não sei se tem asas
Não sei em que tempo vive
Nem em qual dimensão
Mas está sempre tão perto
E tão longe…
Sinto sua presença
Sinto sua essência
Forte, quase absoluta.
Espectral
Sideral
…visceral
Tão perto, sempre
…e tão longe
Mas se acaso
Você se materializasse
Aqui e agora
Talvez, eu não o amasse
Tanto assim…
Meu doce espectro.
Nota: Inspirado no soneto "O Sol ficou louco" do poeta Erico do blog
Conjecturas Poéticas em versos e prosas também.
***
terça-feira, 31 de maio de 2011
Amor em vermelho
Não é só o vermelho desta aurora
Que me extasia
É também o teu olhar
Tão cheio de cumplicidade
E, de tempos em tempos,
Esta fagulha reacende
Tão vermelha e viva
Como esta aurora
…esta aurora que extasia
E se meu coração
Bate, então, descompassado
O teu, louco de saudade,
Dispara em minha direção
E por mais que a vida crua
Que a realidade nua
Façam pálidos, os caminhos
Sempre surge esta aurora
…esta aurora que extasia
E mesmo que, por vezes,
Pesadelos sobrepujem sonhos
E a noite pareça interminável
Minha dor, tua presença cura
Também sei que curo eu, a tua
Enquanto este vermelho singra,
Singra vida afora
Renascendo a cada aurora
…esta aurora que extasia
"Everbody Hurts"
R.E.M.
***
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Mundana
Amores a mil
Flamenco febril
Bailado burlesco
Em todas as camas
Em todos os becos
Delícias
Delírios
Doces
Delitos
À meia luz
Entre cetins
À luz do dia
Ao som de clarins
Adorável mundana
Mulher
Profana
Plena
Dona de si
***
domingo, 1 de maio de 2011
Pulsación!!

Você desperta meus piores instintos
Meus mais baixos anseios
Você me faz calculista,
Ardilosa
Egoísta
Você desperta minha Medusa
Minha deusa lasciva
Inescrupulosa
Possessiva
Você me faz vil
Endiabrada
Mesquinha
Você desperta meus piores instintos
Meus mais baixos desejos
Você me faz geniosa
Sequiosa
Das suas entranhas
Sua alma
Sua vida
Acho mesmo que eu amo você
…e a culpa é toda sua
Música: Pulsación número 4
Astor Piazzolla
Imagem do Google.
***
sábado, 23 de abril de 2011
Andava por aí...
sábado, 2 de abril de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
Dentro da noite fria

Tão larga e fria
a cama
E este cetim indiferente
Brilha sob a luz da arandela
Que teima em iluminar
A tua ausência
Ah, se tu soubesses
Das noites infinitas
Das taças solitárias
Esquecidas
Ah, se tu soubesses
Que a soberba do meu dia
Se dilui na saudade
Que me assola
Quando a minha noite chega
Sem ti, inóspita
Vazia
Ah, se tu soubesses
Que a sutil indiferença
Se transmuta em agonia
Quando giro a minha chave
E as paredes, testemunhas
Desprovidas de calor
Clamam por alguma
Vida
Ah, se tu soubesses
Que tudo, tudo mesmo
Se perderia
Se tu cruzasses esta porta
Por Deus, bastaria!
Ah, se tu soubesses
Da urgência do teu cheiro
Da ardência do meu peito
Ignoravas meu orgulho
Voltarias!
***
sexta-feira, 4 de março de 2011
Jardim Maculado

Lá no meu jardim
Entre uma flor e outra
Erva daninha fez morada
Como rosa disfarçada
Sonsa,dissimulada
Espalhando seu veneno
Peçonhenta, desalmada
Foi ceifando tudo
Vertiginosa, determinada
Obscura, endiabrada
Definhou-se a rosa
Definhou-se o cravo
Ressequiu-se o verde
Palha seca, desencantada
E o perfume inebriante
Perdeu-se todo, sobrou nada
Em seu lugar avolumou-se
O aroma fétido do enxofre
Lá no meu jardim
Entre uma flor e outra
Erva daninha fez morada
Reina, agora, soberana
Proliferando suas garras
Seiva maldita, ceifando tudo
Do meu jardim, restou nada
***
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Feixe de luz
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Ascendência

Queria tanto pisar na terra em que pisaste
Colher os frutos que colheste
Banhar-me nas mesmas águas
Queria tanto ter com os teus
Que são também tão meus
Pois que me correm pelas veias
Queria tanto cruzar este oceano
Fazer de volta o teu trajeto
E encontrar a tua história
Para, assim, quem sabe
Entender melhor, a minha
***
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Poeta

O Poeta está no ostracismo. Está lá, metido em seus delírios.
Em monólogos ensandecidos, metido em seus devaneios.
O Poeta está no ostracismo, em diálogos com a Lua,
procriando versos lunáticos.
O Poeta está no ostracismo,
pois o Poeta não se perfila.
Ora, veja!
O Poeta está no ostracismo, gritando para o nada.
Suas letras insanas voam e ressoam
pela abóbada da catedral cravejada de vitrais coloridos.
E, bumerangues, retornam.
Ricocheteiam na sua cara!
O Poeta está no ostracismo,
pois o Poeta não se limita
às mesmices.
Escreve para a borboleta!
Escreve para a mariposa…
… O Poeta tem alma de poeta!
O Poeta grita.
Quem escuta?
O Poeta é maldito!
O Poeta não se enquadra entre arestas.
O Poeta não segue caminhos fáceis.
O Poeta não se integra , não faz conluios.
O Poeta não joga!
O Poeta brinca…
O Poeta está no ostracismo,
mas o Poeta não se importa.
O Poeta é o único que está vivo.
***
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
O Vento Mistral

O vento mistral
Trouxe-me, hoje, você
Quando inebriou de lavanda
Meu amanhecer
Este aroma que é seu
Reavivou a memória
Aqueceu minha alma
Neste frio tão intenso
E as flores miúdas
Salpicaram as lembranças
De um lilás delicado
De tão belas matizes
Um sagrado momento
Um quadro encantado
Dotado de vida
Cores e cheiros
Meus sentidos atentos
Cúmplices do vento
Pintaram a tela
Traduziram você
***
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