Apenas minhas letras insanas...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016







Curioso sentir-se assim, viva. Apesar da dor. Porque descobrira, então, que a dor era melhor do que nada.  E o ressentimento virou quase gratidão. 






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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Asfalto Molhado..







Sigo os seus passos incertos no asfalto molhado.
 E essa é minha maior prova de amor.





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domingo, 16 de novembro de 2014

Alegria, alegria..






O sal.
Arrebentavam nas pedras, as ondas.
O sol.
Ardia, purificava.
E uma alegria bendita, profunda, alumiava tudo à sua volta.
Alimento perene.
Oxigênio.
Vida.

Toma, leva contigo por onde fores.
Reparte.
E multiplica.

Bendito seja o fruto do teu sorriso.





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domingo, 6 de julho de 2014

Olhando o mundo, da varanda.




Ela desce, correndo, a ladeira.
Os cabelos longos, lisos, soltos.
Dourados, quase mel.
Bailam de um lado para o outro,
Brilhando intensamente sob o Sol.
Bela imagem, logo cedo, belo presente
Para começar bem o dia!




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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Renovação



Limpou as gavetas
Rasgou as cartas
Secou as lágrimas
Varreu o chão
Abriu as janelas
Respirou

Cortou os cabelos
Cortou os vínculos
Tirou os sapatos
Botou o vestido
Andou na terra
Desfrutou

Escreveu o livro
Plantou a árvore
Libertou o filho
Descobriu seu mundo
Buscou o sonho
Ressurgiu




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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Pagodeira

  O cabelo pintado de vermelho combinava com a mesinha do bar. A blusa colada, decote canoa, ressaltava as gorduras e oprimia os seios. O cinto preto e largo não cumpria a sua missão e ainda causava um certo desconforto.
  Cantava um pagode. Balançava a cabeça, rebolava sentada, sacudia os ombros.
  Sorria seu melhor sorriso, usava seu melhor batom. O cabelo domado a qualquer custo balançava o quanto podia. Menos do que ela esperava, menos do que ela queria.
  Olhava de tempos em tempos para o homem atrás do balcão, esperando e pedindo por alguma aprovação. Não que muita diferença fizesse, só pedia um olhar solidário.
  O suor brotava na testa, escorria miúdo num fio no meio das costas. A cólica apertava e dava nó nas entranhas num vai e vem diabólico. Lembrando-lhe a cada investida que a calça de lycra branca não fora a melhor escolha.
  Demonstrava alegria, confiança. Irradiava uma luz que na verdade não existia, mas só ela sabia.
  Voltou para a casa como sempre fazia.
  Fatinha canta que é uma beleza! Essa aí quer ser cantora...
  Ferveu três folhas de louro, coou e adoçou com bastante açúcar. Tomou o líquido quente rezando por algum alívio, algum conforto.
  Pensou em beijar os meninos antes de se deitar, mas contentou-se em olhar para eles através da fina cortina que separava o pequeno quarto da cozinha que também era sala e que virava o seu próprio quarto quando o sofá-cama vermelho lhe abrigava o corpo todas as noites.
  Vestiu uma camisola e deitou-se ainda sem sono. A chuva desabou de repente. O vento forte castigava os telhados precários, derrubava os varais. Mas ela não se importava, não mais. Olhava para a pequena janela que acendia e apagava ao sabor dos clarões provocados pelos raios que caíam ferozes.
  E o barulho dos trovões cada vez mais fortes e os relâmpagos cada vez mais luminosos e intensos, meu Deus! Quanta beleza...
  A água batia com força, uma força brutal. E suas lágrimas escorriam tão tímidas...
  Foi tudo tão rápido. Não teve tempo para se arrepender de nada. Não teve tempo para chorar por sua mãe que tanto lhe pedia para sair daquele morro. Não teve tempo de correr para os seus meninos.
  Só teve tempo para um último clarão, seu palco iluminado.
  E então, finalmente, cantou.



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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Laços















  Subiu lentamente os degraus empoeirados. O corrimão dourado, finamente trabalhado, trazia entre seus entalhes delicadas teias tecidas por aranhas que reinavam por ali há muito tempo.
  A vastidão do salão que observava do alto da escada lhe tirava o fôlego. O silêncio quase absoluto, a escuridão parcial que dava aos móveis uma aura tão dramática, tudo a fascinava. As pratarias, as porcelanas, os quadros... Ninguém ousara tirar uma só agulha do lugar. E tudo parecia estar suspenso, intocado.
  Caminhou pelo corredor, tantas portas! Altas, majestosas. Sabia exatamente qual delas deveria abrir.
  Com o coração acelerado, fervendo de excitação girou a maçaneta fechando os olhos. Sentiu o cheiro, almiscarado. Abriu os olhos já marejados e, então, o viu. Sorriu enquanto chorava. Cobriu a boca com uma das mãos tentando, em vão, conter os soluços. E ele a olhava, terno, sapiente. Tão lindo! Deus, tão lindo.       Ela não sabia que felicidade podia doer tanto. Como seu peito apertava, o ar lhe faltava. As pernas tremiam enquanto ela se aproximava dele, que a esperava.
  Chegou perto o suficiente para, finalmente, tocá-lo. Aqueles olhos que ela conhecia tão bem, aquela boca que ela tanto beijara sem nunca ter sentido o seu gosto.
  Acariciou o rosto amado com tanta delicadeza, tanta ternura. Tanto cuidado.
  Ficou por muito tempo ali, à sua frente. Sorvendo cada detalhe daqueles traços tão harmoniosos, perfeitos. Deitou-se, então, na bela cama tão fria. Extasiada, adormeceu docemente emprestando seu calor às cobertas de seda.
  E ele, que a observava tão sereno, eternizado em seu autorretrato há quase um século, sabia que sua espera, por fim, acabara.



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