Apenas minhas letras insanas...

quarta-feira, 27 de março de 2013

Um momento único

 



  Corremos quando os primeiros pingos de chuva começaram a cair. Rindo, de mãos dadas, pisando na areia molhada.
   Corremos na beira da praia, sempre rindo. De mãos dadas. A chuva apertou, virou tempestade. Mudamos o rumo, corremos pra dentro do continente. Correndo mais rápido, eufóricos, rindo mais alto. E de mãos dadas. Cruzamos a linha do trem, saltamos os trilhos. O cheiro de maresia dando lugar ao cheiro de terra molhada. Cheiros de vida! Continuamos correndo, chutando as poças d'água que se formavam nas ruas de terra. Rindo. De mãos dadas.
   Chegamos, finalmente, à casa. Ofegantes, molhados, cheios de areia, respingados de barro. Meu primo e eu. Aos dez anos de idade. Belos, sujos e felizes!

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

E o poeta se vai.




Quando um poeta se vai,
um verdadeiro poeta,
fica o cliché...
“suas palavras são eternas”.
É bem verdade.
Mas o que fica mesmo é a porra de um vazio.
Um vazio repleto de palavras que
jamais  serão ditas.
Um poeta, um verdadeiro poeta,
é um ser relevante.
Um poeta faz falta.
Como lidar com a fúria deste mundo sem o amparo do olhar de um poeta?
Ele grita por nós. Chora. Xinga. Escarnece.
Ele nos vinga. E nos resgata.
E também bate na cara, quando é preciso.
Sim, ficam as palavras. São eternas.
Mas sinto falta daquelas que se calaram
no nascedouro.
Poetas não deveriam morrer.
Não os verdadeiros.



Para Júlio




terça-feira, 5 de junho de 2012

O menino, de nada sabia




O menino, de nada sabia.

Da carne flácida, do ardor no estômago
Do amargor, travo na língua
Da imagem sem cor, desfocada
Cinza
Da certeza da dor, da memória perdida
Da pútrida inércia, da nauseante apatia
Da melodia mesquinha, da avareza da vida
O menino! O menino, de nada sabia.
Nem da sordidez, nem da vilania
O menino não sabia da grande ironia.






Imagem: "Meninos Brincando" (1955)
Cândido Portinari.



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terça-feira, 1 de maio de 2012

Tormenta






Minam-me as forças essas marolas furtivas, malévolas, que machucam um pouco por dia. Prefiro as grandes tormentas que mostram a cara.




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domingo, 15 de abril de 2012

Amor Sem Fronteiras

Não há garantias
Nem asas tolhidas
Apenas te olho,daqui
E me apraz ver-te livre
Feliz pelas cercanias
Graças eu dou
Por não me ater a mesquinharias
Pois foi recusando tuas migalhas
Que me fiz grande aos teus olhos
Quanto mais plena a liberdade
Tua e minha
Mais rica,a existência
Mais prazerosa,a convivência
Sólida trajetória!







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domingo, 4 de março de 2012

O Mar




Como lhe encantava sentir sob os pés, a areia molhada
E se divertia com as ondas que desmanchavam suas pegadas
A mãe ensinava a fazer castelos
E saía correndo a catar conchinhas
De todas as cores,
Branquinhas.
Desconhecia o medo,
Nunca se cansava.
Que saudade brutal sentiria!
Deixava, sempre, um pedacinho de si
E chorava o choro dos puros
Quando partia.
Mesmo sem saber, sabia
Que aquela inocência, um dia
O mar, para si, levaria.
O mar.









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Imagem: "Itanhaém" .
Música: " O Mar". Madredeus.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Haikai (inverno)



Ventos invernais
Carregam as nuvens
Céu limpo de novo






Imagem: Site Brasil Escola.




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