Um fragmento Do tempo Eternizado Pelo olhar Daquele que soube ver E sentir A poesia Manifesta e pura
Pseudocoadjuvante O longínquo horizonte Discreto Em calmaria Antagoniza Com as ondas Esfuziantes, apressadas Rebentando contra as rochas (hidro) pirotecnia!
Um instante Um fragmento Ido, vivido …n’algum tempo Impreciso Captado Revelado em alquimia
Foto: Autor Desconhecido Local: Biarritz - 1891 Do site Flickr - Domínio Público.
Tão larga e fria a cama E este cetim indiferente Brilha sob a luz da arandela Que teima em iluminar A tua ausência
Ah, se tu soubesses Das noites infinitas Das taças solitárias Esquecidas
Ah, se tu soubesses Que a soberba do meu dia Se dilui na saudade Que me assola Quando a minha noite chega Sem ti, inóspita Vazia
Ah, se tu soubesses Que a sutil indiferença Se transmuta em agonia Quando giro a minha chave E as paredes, testemunhas Desprovidas de calor Clamam por alguma Vida
Ah, se tu soubesses Que tudo, tudo mesmo Se perderia Se tu cruzasses esta porta Por Deus, bastaria!
Ah, se tu soubesses Da urgência do teu cheiro Da ardência do meu peito Ignoravas meu orgulho Voltarias!
Já vivi uma cena assim, de novela Já corri para os seus braços, vestida de branco À beira da praia Tão jovem, tão jovem… Você me ergueu tão alto E eu me apoei em seus ombros Um daqueles momentos em que a vida faz sentido Como naquele filme romântico, como aqueles quatro dias E é desses momentos que minha vida se alimenta O meu conto de fadas que não tem final algum O meu oásis de águas frescas e perfumadas Em meio ao trânsito tresloucado e escaldante Está bem aqui, em minha mente, minha memória E eu nem preciso fechar os olhos para ver os seus, Tão límpidos Enquanto ouço Little Wing E sou feliz …feliz
Lá no meu jardim Entre uma flor e outra Erva daninha fez morada Como rosa disfarçada Sonsa,dissimulada Espalhando seu veneno Peçonhenta, desalmada Foi ceifando tudo Vertiginosa, determinada Obscura, endiabrada Definhou-se a rosa Definhou-se o cravo Ressequiu-se o verde Palha seca, desencantada E o perfume inebriante Perdeu-se todo, sobrou nada Em seu lugar avolumou-se O aroma fétido do enxofre Lá no meu jardim Entre uma flor e outra Erva daninha fez morada Reina, agora, soberana Proliferando suas garras Seiva maldita, ceifando tudo Do meu jardim, restou nada