Apenas minhas letras insanas...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A Cabeça Flutuante de Mercedes








A cabeça flutuante de Mercedes
Pairava sobre as praças
Girava, desvairada
As nuvens, bulinava!
A cabeça flutuante de Mercedes
Bailava, assim, descabelada
E os olhos flamejantes
Fulminavam quem passava.
A cabeça flutuante de Mercedes
Quicava feito bola
E gargalhava
A boca escancarada!
A cabeça flutuante de Mercedes
Belicosa, esfomeada
Devorava quem passava.
A cabeça flutuante de Mercedes
Vomitava cânticos
Regurgitava cândidos
E tripudiava!
A cabeça flutuante de Mercedes
Sugava os ébrios e os incautos
E se deleitava!
A cabeça flutuante de Mercedes
O dia, incendiava
A noite, iluminava
Abóbora gigante decapitada.
A cabeça flutuante de Mercedes
Pairava sobre as praças
E ria-se das pragas
A boca escancarada!










Música: "Entre dos Aguas" - Paco De Lucia.
Imagem: "La Cabeza Flotante de Mercedes" - Photo Amadora.




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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Brilho Efêmero


  Silêncio. Concentração. Ela fecha os olhos, respira fundo e, então, abre seu melhor e mais belo sorriso. A música começa e o lilás salpicado de pequenos brilhos desliza e funde-se à brancura leitosa do gelo.
  Leveza e graça em movimentos que beiram o sublime.
  Corpo e música em perfeita harmonia, como se de dentro de sua alma saíssem as notas melodiosas.
  Desliza, irretocável. Abre os braços em frágil equilíbrio, veloz, parece voar. Dá o primeiro salto duplo, perfeito. Parece tão fácil!
  O público, hipnotizado, demora alguns segundos a reagir com merecidos aplausos. Em completo êxtase ela continua sua rotina de encantamento e, impondo mais velocidade, executa dois saltos triplos aterrissando em perfeito equilíbrio. A audiência delira, emocionada.
  Ela baila, então. Menina-mulher. Inocência e sedução.
  Percorre todo o ranking num footwork gracioso, desenhando suas figuras em "S".   A música torna-se ainda mais intensa e surgem as fantásticas piruetas, o lilás rodopia, rodopia....
  Nos últimos acordes, o último salto, o mais audaz.
  A queda.
  Um "Oh" em uníssono a ensurdece. Por alguns segundos não ouve nada, não vê nada. Nada sente.
  Mas a anestesia pouco dura. Ergue-se. Supera a dor. Retoma a rotina. Desliza e improvisa pois a música está acabando.
  Executa a última pirueta, feito um tornado. E estanca exatamente no último acorde. Perfeito.
  O público a aplaude de pé.
  Ofegante, ela sorri. Mas dos olhos, que nada escondem, rolam as lágrimas.



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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Num piscar de olhos






E quando eu olhei pela janela
Havia passado tanto tempo

E esta apatia me situa aqui e agora
E faz a saudade doer um pouco mais


Saudade da alegria da incerteza
De tão pouca sutileza


Saudade do futuro


…que se foi


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domingo, 19 de junho de 2011

Photografia







Luz e sombra
Perspecitva
Expectativa
Cores espectrais
Radiais
Radiantes
Brilho contrastante
Conceito
Desconstruído
Desconcertante
Inusitado
Instante
Surpreendente
Flagrante
Ocaso
Acaso
Vermelhos fulgurantes
Verdes refrescantes
Azuis infinitos
Amarelos delirantes
Mil matizes
Secundárias
Terciárias
Libertárias!

E o preto soberano
Sobre o branco puritano
Faz, sagrado, um momento
…mundano



Música: "Auguries of Innocence - Parte I" - State of Grace
Imagem:"Cores Espectrais" - Kássia Reis.


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sábado, 11 de junho de 2011

maria





Maria vai com as outras
Maria-sem-vergonha
Maria lavadeira


Maria imaculada
Maria auxiliadora
Maria madalena


Maria é amélia
Maria é rosa-choque
Maria é guerrilheira


Maria desvairada
Maria entediada
Maria enternecida


Maria é Bonita
Maria é Antonieta
Maria é Aparecida


Maria é mãe
Maria é filha
Maria é só
Maria só…




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terça-feira, 7 de junho de 2011

Tão perto, tão longe...(meu doce espectro III)







Não sei se tem asas
Não sei em que tempo vive
Nem em qual dimensão
Mas está sempre tão perto
E tão longe…
Sinto sua presença
Sinto sua essência
Forte, quase absoluta.


Espectral
Sideral
…visceral


Tão perto, sempre
…e tão longe


Mas se acaso
Você se materializasse
Aqui e agora
Talvez, eu não o amasse
Tanto assim…


Meu doce espectro.




Nota: Inspirado no soneto "O Sol ficou louco" do poeta Erico do blog
Conjecturas Poéticas em versos e prosas também.


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terça-feira, 31 de maio de 2011

Amor em vermelho















Não é só o vermelho desta aurora
Que me extasia
É também o teu olhar
Tão cheio de cumplicidade


E, de tempos em tempos,
Esta fagulha reacende
Tão vermelha e viva
Como esta aurora


…esta aurora que extasia



E se meu coração
Bate, então, descompassado
O teu, louco de saudade,
Dispara em minha direção


E por mais que a vida crua
Que a realidade nua
Façam pálidos, os caminhos
Sempre surge esta aurora


…esta aurora que extasia



E mesmo que, por vezes,
Pesadelos sobrepujem sonhos
E a noite pareça interminável
Minha dor, tua presença cura


Também sei que curo eu, a tua
Enquanto este vermelho singra,
Singra vida afora
Renascendo a cada aurora



…esta aurora que extasia





"Everbody Hurts"
R.E.M.


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